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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Gasparzinho

Gaspar, o autista* por Sérgio Lavos Sabemos que o Orçamento para 2013 é suicidário. Sabemos que é um orçamento de urgência que visa não só cobrir o buraco orçamental previsto para o ano que vem como também o que ficou a descoberto este ano, a estrondosa derrapagem orçamental que o Governo já não consegue esconder. Sabemos que existe uma folga de alguns milhares de milhões no orçamento porque Gaspar sabe que as previsões de receita, de corte de despesa e de desemprego são absurdamente irrealistas. Sabemos que, devido ao falhanço brutal nas previsões de 2012, Gaspar teria de dinamitar a economia para conseguir atingir a meta do défice . Sabemos que este orçamento é incumprível, sobretudo por causa dos juros que temos de pagar, não só dos empréstimos anteriores ao memorando, mas também dos que pedimos à troika. Nove mil milhões de euros por ano de juros é um valor que nem o maior génio das finanças de sempre conseguiria cobrir. E Vítor Gaspar não é um génio. Não só não é um génio, como erra todas as previsões, consecutivamente. Este ano vamos para o quarto orçamento rectificativo, coisa que não se via desde o PREC. E para além de ser incompetente no papel de ministro das Finanças, é também intelectualmente desonesto. Depois do FMI ter vindo a terreno dizer que o multiplicador usado para calcular o efeito da austeridade na economia (por cada euro cortado a economia contrair-se-ia 50 cêntimos) estava errado, propondo novo multiplicador (por cada euro poupado, a economia contrai-se entre 0.9 e 1.7 euros), Gaspar persiste em usar o multiplicador antigo nas previsões para 2013 e depois . E não admite que o faz, tendo-se recusado a responder a uma pergunta directa de um jornalista na conferência que se seguiu à apresentação do orçamento e desvalorizando a opinião do FMI. Não é só incompetência. Não é só fanatismo ideológico. É um inacreditável autismo que está a levar o país a um buraco de onde será muito difícil sair. Vítor Gaspar tem mesmo de ser parado - até porque o inábil deslumbrado Passos Coelho nunca o irá fazer.    *Como deveria ser evidente, uso a caracterização em sentido figurado e não pretendia ofender, de modo algum, quem sofre deste gravíssimo problema, nem as respectivas famílias. 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

No país dos...galináceos!

Desculpem mas não consigo conter as palavras. Mesmo na mais  injusta das situações em que nos encontramos desde o 25 de abril, ainda há quem acredite neste modelo de governação? Há muito tempo a esta parte  que venho avisando: o modelo neo-liberal não resolve nada de nada, e é escusado detalhar os argumentos técnicos para a defesa desta tese, pois já os explanei profusa e exaustivamente, em diálogos, artigos e "conversas de café". O anti-socratismo (não estou a inocentar a criatura) doentio toldou o pensamento crítico de longo alcance a toda essa massa cívica e financeiramente oprimida pelas supostas sevícias ou pecados politicamente mortais cometidos pela recém-parisiense criatura, e que no fim de contas, não passaram de um superficial golpe cutâneo, comparados com a criminosa sucessão de machadadas no peito, que ao longo do último ano nos vem sangrando. A sacralização de Passos e do seu séquito, sustentada na protozuaria teoria da "inevitável austeridade" (acredito que tenham vertido lágrimas corcodilianas) para salvar o país das consequências infligidas por, apenas e só, governos de um "Partido Satânico" (PS), morreu a nascença. É aqui que entram sérias recomendações para o recurso a suplementos auxiliares de memória. Química falhada, descompensação instalada. Estes "Passos" de governação, quer para os acometidos de um "gap" na memória longínqua, quer para os que catalisaram a razão da sua má fortuna em Sócrates, carecem de um breve, mas indispensável esclarecimento:  há muito que todos eles faziam parte das intenções deste primeiro-ministro "barriguita". Muito, mas mesmo muito antes de ter sequer a mínima noção do estado da economia no pontificado socialista, já este menino delirava com os anagramas ultra liberais dos compêndios de Adam Smith. Eu, sempre o disse: "já o conhecia bem". E as intenções ideológicas são de há tempos muito remotos, bem vincadas. Assim, não se trata apenas de uma política reativa a uma qual ruína monoparental, parida por hermafrodita socialista, mas antes a concretização de ideias bem antigas, as quais, de tão idiotas e incompreensíveis, continuam a mergulhar na miséria os predestinados sofredores, e a perpetuar de forma  acrescida, o poder terra-tenente. É preciso ter...memória de galinha!!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Para trás...é que é Portugal!

É interessante observar que a tão exultada inoperância situacionista, conservadora e reaccionária que assola o país, padece de uma calcificação excessiva numa das secções superiores do frontispício, qual fera taurina que, por desproporção córnea, marra sempre para a esquerda. Alguns "adamastores" tentam infatigavelmente propalar uma nova "Taprobana", só ultrapassável por uma revolucionária expedição cuja rota pende sempre para a direita, e dotada de um novo comandante, em trono sentado, de crânio coroado, e com manto tapado. Gostava a propósito de saber, quem são os revolucionários que querem operar tão sofisticadas e indispensáveis alterações à constituição, melhorar o estado de forma a o tornar irreversivelmente eficaz, produzir uma nova lei eleitoral que consiga, por si só, arrancar dos sofás, esse imenso e lascista traseiro em que se transformou a (in)consciência cívica portuguesa, ou voltar a devolver ao país uma grandeza, orgulho e sentido patriótico que só alguma vez existiu, porque à boa maneira nacional, algumas cabeças teimosas e audazes fizeram espalhar o nosso nome pelos quatro cantos do mundo, na ausência de visionários que, ao invés de passarem séculos a ostentar coroas e mantos, tinham a seu cargo a tarefa de fazer as grandes descobertas dentro do seu próprio país? QUEM?!!! A "Liga Orangina", que agora acabou de retirar da sua proposta de revisão constitucional todas as aberrações que constituíam, em boa verdade, o seu único ponto de interesse (nada situacionista)? O "Ouro sobre Azul", que visto à lupa,não é mais que o reflexo liberal do Bloco de Esquerda, e que debita alarvidades inconsequentes, sem sequer ter a coragem de avançar com propostas que não façam doer a barriga de tanto rir a um miúdo do 1º ciclo? Um Duarte, cujo "Dom" ainda ninguém descobriu, a não ser aqueles que, em desespero de causa (compreensível, aliás), acreditam que semelhante figura conseguiria impor sentido de estado a alguém neste país, para além dos limites da sua própria residência? Um bêbado sonhador, tem mais de equilibrista, do que qualquer sóbrio inerte!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Não é meu hábito postar notícias de outros meios de comunicação social para análises no meu blogue. Mas a precipitação cáustica de incendiários, medíocres, e conjunturais ensaios de masturbação intelectual, que não representam mais do que uma mera incompetência analítica e consequente insatisfação hormonal, compelem-me à necessidade de despir a realidade nua e cru, para se perceber que neste trono de conjuras, o rei...vai nu.
Passo a enunciar:
Portugal é diferente da Grécia, mas as fragilidades das duas economia são crónicas, escreve a revista The Economist.

Segundo a análise, publicada hoje no site da publicação britânica, os dois países apresentam baixo crescimento, perda drástica de competitividade e alto endividamento público e privado - fragilidades crónicas que os mercados podem aproveitar para fazer aumentar os juros da dívida.

O artigo de análise sobre Portugal, intitulado "A importância de não ser a Grécia", apresenta as diferenças fundamentais entre os países e apresenta "um Governo desesperado em persuadir os mercados que é melhor do que eles temem".

No entanto, a revista contraria economistas como Simon Johnson e Nouriel Roubini, dizendo que Portugal está "longe de ser a próxima crise de divida pública".
Um dos problemas apontados a Portugal é a falta de poupança. A revista diz mesmo que os portugueses eram conhecidos como um povo que poupava de forma exemplar, mas agora têm se endividado em grande escala, com o endividamento das famílias a superar já os 100 por cento do PIB e no caso das empresas os 140 por cento do PIB.

Entre os pontos fracos, a "The Economist" aponta ainda a elevada burocracia, a falta de eficiência da justiça, as debilidades do sistema educativo e a rigidez das leis laborais, sublinhado que Portugal tem "um dos mais rígidos regimes de protecção de emprego".

Fim de citação.

Concluindo: a Bélgica depara-se com uma crise económica em que a dívida pública ultrapassa os 100% do P.I.B. Mas trata-se obviamente de um país atrasado! Números? Aparentemente variam consoante a grossura dos dedos, e a área dos botões da máquina de calcular.

Pobres...dos ricos!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Quatro anos de...dentes afiados

Parabéns meu caro "Joshua Rex". No pontificado dos indomáveis e colossais afloramentos sísmicos, vulcânicos e pluviais, as torrentes de palavras que fazes brotar da tua atmosfera intelectual, são uma rara monção geradora de fertilidade cívica. Ainda que a metodologia de irrigação nos afaste em residuais divergências quanto ao processo de maturação, somos cúmplices no sumo propósito de fazer florescer a humanidade. Caminhemos, unidos na diversidade. Um abraço!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Espelho

É incrível, mas é verdade. O tecido social português é o mais tangente atestado da secular mediocridade em que vegeta a nossa nação. Travamos batalhas infindas contra vagas de aneurismas populares para edificarmos, infatigavelmente, um sistema judicial supostamente cego a credos, ideologias e grupos corporativistas, estes últimos, sempre obstinados no proveito de privilégios naturalmente atribuídos pela divina providência. Não obstante, e apenas um século após o fim da multi-secular putrefacção monárquica que assolou a nossa pátria, persistem exemplos de um inexplicável absolutismo, requintado, sofisticado e determinado na tentativa de controlar, explicita ou implicitamente, a mais poderosa das armas do século XXI, a comunicação social. Com todos os defeitos e virtudes, a justiça tenta prosseguir. Tal como um rio, o percurso dos procedimentos deve fluir na obediência aos naturais meandros que, legal e institucionalmente confronta. Porém, nesta torrente fluvial, persistem rochas residuais de contradição cívica. O “sol” que irradia o rio, não está mandatado para desviar o seu curso. O estado de direito não é, decerto, iluminado. Mas não poderá, jamais, ser ofuscado. Se o rio judicial padece de águas conspurcadas, também é certo que o “sol” irradia luz negra, ao ignorar directrizes do maior sustentáculo da nossa democracia. E mãos, vozes e escritos se erguem, aludindo a clichés, não raras vezes segregacionistas, e em apreciações destrutivas daquilo que acaba, afinal, por ser o espelho da nossa sociedade.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cef's, que futuro?

Se existem, por alguma razão é. E será que se pode considerar credível e aceitável que, nesta idade (uma década a mais..uma década a menos) queiramos voltar ao idealismo da adolescência? Claro que não!!! Consideremos a realidade que nos cerca. Famílias monoparentais, destruturadas... ou não, obcecadas com a implacável sentença forçada de devoção ao trabalho, a diluição das mais seculares valências morais nos fluidos de uma frívola globalização, a desagregação "granular" da instituição familiar, a profusão de caminhos para o futuro cujos interfaces ainda estão por terminar, a multi-funcionalidade e a flexibilização que esbarram na ausência de especialização. Será que a flexibilidade é sinónimo de modernidade? NÃO!!! Peço desculpa mas, tudo isso não passa de uma mera artificialidade. O Mundo mudou em poucas décadas. A “educação das massas” era um mero idealismo antes dos anos 70, mesmo para os países desenvolvidos. Hoje, a formação intelectual e generalista abrange uma parte significativa da população. Apenas um pormenor…os exemplos de especialização existem, na maioria dos casos, em áreas onde se verifica um superavit de mão-de-obra. E o problema é encontrar o “faz-tudo”? Não. Se fosse essa a resposta, todos fariam cursos multifunções, e em breve, os postos de trabalho seriam disputados à moda do “farwest”. O desafio consiste em averiguar as novas áreas de empregabilidade. Novas em sentido potencial, e não apenas baseadas nas áreas que já estão…ou se encontram em vias de sobreexploração. Na qualificação e na especialização é que está o ganho.